Arquitetura Líquida

O conceito de metáfora do líquido nada mais é do que uma forma de expressar a ação do processo de transição entre a modernidade e a fase atual que o próprio autor Bauman prefere compreender com uma pós-modernidade, a sociedade moderna é incapaz de manter formas ou um mesmo modelo assim como são os líquidos, cuja forma é usualmente determinada por aquilo que o contém, ou seja, a distância entre suas moléculas é suficiente para adequar a qualquer meio, tomando sua forma.

Há também o conceito de liquidez no campo da arquitetura, melhor dizendo arquitetura líquida. Para Santaella, “qualquer informação e dados podem se tornar arquitetônicos e habitáveis, de modo que o ciberespaço e a arquitetura líquida, que flutua. Por isso, o ciberespaço altera as maneiras pelas quais se concebe e percebe a arquitetura, de modo que torne nossa concepção da arquitetura cada vez mais musical. Pela primeira vez, o arquiteto não desenha um objeto, mas os princípios pelos quais o objeto é gerado e varia no tempo”. Com isso a arquitetura fica sem limite para a criação com total independência em relação à realidade física e livre das leis da gravidade, é uma arquitetura sem nenhum compromisso com a real. Já o espaço líquido Lucia Santaella considera o ambiente em “camadas” que permitem o acesso à hipermobilidade, que é uma importante ferramenta para dar noção de presença a um lugar, estando presente pelo ciberespaço. Deixando para traz a idéia de estar em um local apenas fisicamente. Navegar no ciberespaço se configura numa legítima forma de estar presente como, por exemplo, assistir um festival de música ao vivo pela internet, sem estar presente ao local do evento. O arquiteto líquido constrói os espaços para que o usuário possa modificar o objeto da maneira que quiser, o arquiteto líquido deixa de ser construtor e passa a ser idealizador de possibilidades para deixar o usuário livre.

A linguagem líquida proporcionada pela cultura da mobilidade, fruto da comunicação móvel, a tele-presença, que nos deu a possibilidade de estar presente em todo lugar, a distância virtual, condicionam novas linguagens, que estão em constantes alterações, perdendo sua estabilidade matricial.Textos, imagens, sons já não são como eram de costume. Misturam-se, completam-se, trocam propriedades; perderam a forma, o peso, e se quer sofrem efeito gravitacional. Fenômeno citado por Lúcia Santaella, em sua obra Linguagens líquidas na era da mobilidade, onde ela cita; “Viraram aparições, presença fugida que emergem e desaparecem ao toque delicado da pontinha do dedo em minúsculas teclas”.

Essa nova condição promove uma grande mudança no sentido de liberdade. Agora o receptor/usuário está em constante mutação e também é agente, não aceitando as limitações propostas pelos meios. Como foi abordado por Bauman em sua obra Modernidade Líquida “O fato de que a estrutura sistêmica seja remota e inalcançável, aliado ao estado fluido e não estruturado do cenário imediato da política, muda aquela condição de um modo radical e requer que repensemos os velhos conceitos que costumavam cercar suas narrativas”. Agentes que usam recursos oferecidos pela cibernética como polifonia, entrevozes, fakes, que acentuam a ideia de algo fluido.
O texto líquido não foge a regra de algo maleável, com extraordinária mobilidade. Contendo uma grande quantidade de signos e simbologia linguísticas, podemos dizer que passamos a ter um estudo não mais monosemiótico, e sim intersemiótico. Signos que deixaram de seguir uma derivada, se tornando a-lineares.

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A História da Comunicação (Em Episódios)

Primeiro Episódio: Interpessoal

A história da comunicação se divide em cinco etapas que são cumulativas, pois com sua evolução, a introdução de novas etapas não exclui as anteriores, sendo que cada uma utiliza de uma nova forma de comunicação, é um aprimoramento constante das etapas.

Assim, a história da comunicação se inicia, nos primórdios dos tempos, nas sociedades denominadas acústicas, em que a comunicação era interpessoal, ou seja, face-a-face.

Essa é uma etapa em que só acontece na presença física dos interlocutores e estes, no momento da comunicação, estariam em um mesmo lugar ao mesmo tempo e seu diálogo se dava através da fala. Segundo Lévy, essa seria a oralidade primária, “que diz respeito ao uso da linguagem oral no período anterior ao advento de novos sistemas de comunicação mais complexos”. Nesta forma de comunicação, o homem é quem suporta e transporta a mensagem. Assim, esta etapa pode ser considerada a mais rica, pois é a que apresenta a menor possibilidade de ruídos, sendo a mais adequada em entrevistas ou em atendimentos à clientes e fornecedores. Porém, a partir do momento em que os interlocutores não se encontram em um mesmo lugar a comunicação terá de ocorrer de outra forma.

Segundo Episódio: Escrita

Com o desenvolvimento das sociedades, surge a invenção da escrita pelos sumérios, surgindo também os autores, os leitores e as interpretações. Nessa época, devido ao conhecimento restrito de escrita e aos exemplares únicos dos livros, surge a comunicação de elite, pois a linguagem tornava-se um elemento de diferenciação social, instrumento de poder e controle da população, já que os que sabiam tinham o poder de falar aos outros da forma como interpretavam o que foi lido, formando-se assim os grupos de poder. Assim como ocorria nas missas, que eram lidas e faladas em Latim, a mensagem era entendida somente pelo clero e pela elite. Nesta etapa, não mais era necessária a presença física dos interlocutores para que ocorresse a comunicação, pois a mensagem perpassa o tempo. A comunicação nesta etapa se mostra eficiente, porém comparada à interpessoal não é tão rica, pois apresenta a possibilidade de ruídos.

Terceiro Episódio: Massa

Na terceira etapa comunicacional, o homem descobre uma grande ferramenta para a comunicação. Sua obra que até então era única se transforma em várias cópias, multiplicando assim a sua mensagem, criando uma transmissão a inúmeros receptores.

Isso ocorreu através da invenção dos tipos-móveis por Gutemberg. A criação da cópia foi de suma a importância, pois a partir desse momento foi criada a comunicação em massa, começando pela criação do jornal impresso, levando informação que até então só a Igreja possuía (século XV). Desse período em diante, a informação passou a ser um direito de todos. Como pioneiro, o jornal impresso abriu as portas para a reprodução e distribuição em outras mídias como as revistas, o rádio, a televisão e a internet. Assim, existe uma drástica ruptura entre o produtor e o receptor através dos meios técnicos, onde os agentes encontram-se fisicamente separados, ou seja, o produtor envia uma mensagem para o receptor e não pode acudir, reagir ou influenciar no processo, a mensagem operará em “mão única”. Sendo assim, não haverá nenhuma resposta.

Essa modalidade de comunicação unidirecional é denominada broadcast. O broadcast é usado nas mídias analógicas para a transferência informações, geralmente vídeos e músicas, mas também é utilizado em qualquer tipo de mídia, seja ela a televisão, o radio, linhas telefônicas, fibras ópticas, cabos, satélites, entre outras.

Com o público distante, houve a preocupação na questão da interpretação da informação. O estudo da comunicação surgiu na tentativa de garantir a interpretação correta. Em um texto, é impossível saber o que o autor quis dizer, nenhuma pessoa consegue extrair de fato o que realmente se passava na cabeça do autor. Então, criamos suposições de uma leitura, podemos dizer que formamos uma opinião e fazemos uma análise, um falso modelo de compreensão e entendimento que leva à um enriquecimento intelectual.

Quarto Episódio: Mídias Digitais

Após a comunicação de massa na terceira etapa, a sociedade se deparou com uma nova forma de se comunicar que revolucionou muitos parâmetros do cotidiano no homem. Em meados da década de 80, consagrou-se a quarta etapa que é a das mídias digitais, que estendeu até a década de 90 com a união tecnológica do computador com a internet. A sociedade pós-industrial se deparou com a possibilidade de se comunicar com facilidade, rapidez e sem limites, afixando imagens com ou sem sons e as identificando simultaneamente pelo olho e pelo ouvido, fazendo assim, que a sociedade tenha também o seu ponto de vista da escrita, decodificando palavra por palavra no tempo e com a compreensão do texto lido, tornando a informação recebida mais independente e personalizada.

No final do século XX, a união entre linguagens e meios se fortificou e, como consequência, surgiram diversas mídias vinculadas às novas tecnologias. Elas passaram de um estado de convivência para um estado de convergência. Antes eram independentes, agora se uniram por meio da revolução digital. Pode-se afirmar que o que se vê é a virtualização de memórias e a comunicação de forma a-linear. A revolução digital se baseou na informação onipresente. A figura do computador se tornou de extrema necessidade na sociedade. Todas as informações puderam ser digitadas em uma linguagem universal, criando certa praticidade na comunicação. As novas tecnologias, máquinas e linguagens, promovem a possibilidade da escolha e a busca da informação de forma individual por conta do personal computer. Todos possuem acesso na era digital. Assim, podendo chamá-la também de cultura do acesso, ela faz com que a tecnologia fique mais barata ao passo de que se alastra gradativamente gerando um poder inigualável. O dinamismo das mídias ocorre através das trocas e misturas de tempo e espaço.

O conteúdo passou a ser direcionado. A produção da mensagem passou a ser específica para cada tipo de perfil de usuário. É importante ressaltar que, na transição da comunicação de massa para a customizada, o homem ainda se vincula entre ambas. Ao mesmo tempo em que a informação abrange a massa, tem-se a informação personalizada ligada a um extenso banco de dados em nível global. Com as redes e com a velocidade, a interação com as máquinas aumentou. Os dados são comprimidos e o armazenamento se tornou vasto. Os computadores, inclusos em um sistema de hipermídia, evoluíram juntamente com a explosão da internet. Com apenas um click, o usuário encontra um enorme banco de informações, cria caminhos e encontra novos espaços cibernéticos, além de armazenar materiais. Ele é guiado durante a navegação e o seu destino é imprevisível.

O tempo real é o tempo virtual, alternativo e simulado, e possui inúmeras interfaces. Cada vez mais as pessoas querem fugir do padrão, buscando meios para que o diferencial e único esteja acessível. Juntos, os usuários são participativos, livres e cheios de possibilidades, podendo produzir informações, modificá-las ou acrescentá-las.

A ideia de coletivo no ciberespaço é ligada à relação próxima entre os atores através da produção de conteúdo através do multidiálogo. As mídias digitais ainda tomam conta do espaço do homem na contemporaneidade, porém ele está se deparando com um novo aspecto: a convergência do corpo humano com a máquina, seus efeitos e vertentes. A tecnologia da informação promete para o futuro novas surpresas e enigmas.

Quinto Episódio: Pós-Orgânico

Depois de um longo caminho, chegamos a uma fase que é caracterizada pela forte interação criada entre o homem e a máquina, que mudou os limites físicos e culturais que definiram historicamente o conceito de humano.

A cada dia, o termo pós-humano ganha seu espaço em nossa sociedade, e vem substituindo o já desgastado pós-modernidade. A máquina não é mais um objeto de luxo obtida apenas pela sociedade de classe alta. O computador preenche um tempo maior na vida da população, ele se torna fundamental para o nosso cotidiano, tanto para se divertir, quanto, principalmente, para buscar e encontrar informações.

Como afirma Lúcia Santaella, “… os meios de comunicação, desde o aparelho fonador até as redes digitais atuais, não passam de meros canais para a transmissão de informação”. Nessa era digital, as pessoas precisam e necessitam estar informadas o tempo todo, seja sobre as suas atualizações nas redes sociais ou sobre como está o trânsito em sua cidade. E essa busca pelas informações se torna, a cada dia, mais alienar e fragmentada em prol de um retorno mais fácil e rápido. “Alienar” e “fragmentada” porque a sociedade quando busca uma notícia, não busca de forma ordenada e não consegue ficar atenta à essa notícia por muito tempo. Exemplo: uma pessoa entra em vários sites, ao mesmo tempo em que está olhando o seu facebook, está olhando também o seu Twitter e procurando algo no Google.

Mas, essa interação homem-máquina pode funcionar de diversas maneiras. Segundo o matemático Vernon Vinge, “a tecnologia produziria computadores tão avançados com uma inteligência sobre-humana; ou a interação entre homem e máquina seriam tão íntimas que nos consideraríamos superinteligentes; ou ainda, a biotecnologia nos proporcionaria um desenvolvimento e expansão do intelecto humano.”

Em cada uma dessas hipóteses, vê-se que a tecnologia caminha a passos largos para colocá-las em prática. Pois, já nos alteramos e nos modificamos à lógica das máquinas, sendo assim com as evoluções dos meios tecnológicos as máquinas poderão ser orgânicas e os organismos artificiais.

Além de nos beneficiarmos dessa tecnologia para estudar melhor o DNA humano e buscando romper com suas limitações, manipulando o corpo em busca de cura para doenças, aumento de memória, retardamento do envelhecimento. Há ainda, os adeptos do movimento The Extrop (grupo formado por cientistas, artistas e filósofos da região do Vale do Silício nos Estados Unidos), que acreditam e trabalham na possibilidade de perpetuação infinita a partir do upload de uma consciência em um chip. É uma visão que implica na adoção de uma nova ética, baseada na crença de que o corpo humano é um hardware em processo de obsolescência, ou seja, uma desclassificação do nosso corpo motivado por aparecimento de um material mais moderno, portanto devemos buscar um novo hardware para conseguirmos melhor desempenho e durabilidade.

Outros pesquisadores apresentam uma visão menos radical do conceito de pós-humano, como Katheryne Hayels, professora da Universidade da Califórnia, onde analisa o conceito pós-humano como resultado do fluxo de informações através das redes que conectam homens e máquinas, como em um processo acelerado de cibernetização, onde haverá a virtualização de bens, pois os homens se preocupam mais em ter acesso do que ter a propriedade em si.

A conexão Homem – Máquina envolve um fornecimento de informações constante, tanto da parte de quem as fornecem, quanto da parte de quem as procuram, pressupondo assim uma mistura entre as linguagens fornecidas. Com isso, a comunicação estabelecida entre os participantes dessa troca propicia o surgimento de novos ambientes socioculturais.

Como o ser humano já está habituado a ter o computador na sua rotina, é preciso estar sempre estimulando a sua busca no navegador, é preciso estar sempre o surpreendendo. Para ter essa atenção, os sentidos do homem devem ser estimulados pelos tecnólogos. O fato, paladar, tato, visão e audição, esses cinco sentidos do ser humano devem andar em harmonia com a tecnologia para que a sociedade não perca o interesse pelas mídias digitais, aparelhos eletrônicos, e etc.

Para estimular e dar continuidade à esse interesse, já estão planejando uma máquina que pode exalar cheiros, mas, dando um exemplo atual, temos como representante do sentido tátil os aparelhos eletrônicos que se dispõem de uma novidade tecnológica, conhecida como Touch Screen.

Mas, com toda essa inovação tecnológica e com todas essas informações, é difícil determinar o que pode ou não ser publicado e/ou visto, ou seja, o que pode ser público ou privado. Ao mesmo tempo que os usuários da Internet querem deixar à mostra para os seus amigos novidades, querem esconder e privá-las de outras pessoas verem. As pessoas estão se tornando mais individualistas nessa etapa, fazendo com que dividam suas necessidades especiais apenas com quem tenha um pensamento ou uma opinião em comum à ela.
O fato é que o potencial para as combinações de vida artificial, robóticas, redes neurais e manipulações genéticas toma proporções tão grandes que nos leva a pensar que as distinções entre a vida natural e artificial, não terá onde se balizar, ou se tornará apenas uma. Segundo Vinge, “estamos num limiar de mudança comparável ao surgimento da vida humana na Terra, com a criação iminente de entidades com inteligência maior que a humana. Desenvolvimentos que antes pensaríamos só ocorrer em muitos séculos, se ocorressem, acontecerão neste século.”

Teorias da Comunicação

A comunicação passou por várias etapas ao longo da História, adaptando, moldando e recriando suas percepções perante o desenvolvimento humano e tecnológico até chegar às redes sociais e toda a sua esfera de significações. Os conceitos que permearam a comunicação foram estudados com base em quem participa e o que está envolvido no processo dinâmico. Modelos comunicacionais foram debatidos e recriados para a realidade de hoje. Cada episódio da comunicação foi trabalhado e seu reflexo na sociedade, além dos novos paradigmas imersos na complexa pós-modernidade. A aplicação desses conceitos é muito importante na futura área profissional. É necessário conhecer os parâmetros de toda a realidade virtual para compreender o público e ser um comunicador estratégico, efetivando seus objetivos.

Esses conceitos foram trabalhados na disciplina de Teorias da Comunicação (Prof. Cynthia Enoque).