Publicidade e Propaganda + Novo Paradigma

Dentro de todo o novo paradigma, o trabalho publicitário precisa ser revisto. A sociedade da pós-modernidade fez com que a área publicitária mudasse profundamente. O público-alvo precisou ser estudado em perfil e comportamento. Deve-se ter em mente que ele mudou totalmente. Hoje é individualista e se encontra numa rede social online, rodeado por tecnologia. Além disso, é mutável e possui caráter forte. Os usuários são espertos, vingativos e sabem de seus direitos. São expectadores e construtores. A inspiração das ideias publicitárias é a realidade atual vivenciada pela sociedade.

Num contexto de linguagens líquidas, o publicitário é um arquiteto líquido e o público é o agente líquido. O anúncio é editável e aberto, podendo ser estruturado de diversas formas e por diversas pessoas. Ele é multissensorial e explora várias possibilidades.
A publicidade tem o papel de romper a superestrutura, criando novas expectativas por meio de novas experiências. O anúncio publicitário possui um espaço semântico de várias significações e atualizações. Essas atualizações passam a serem feitas também pelo público e ele vai querer isso. Ou seja, o publicitário cria e idealiza caminhos para a construção da mensagem e quem escolhe todo o enquadramento do processo é o consumidor.

O foco da publicidade e propaganda em anomalias, ou seja, naquilo que desconstruiu o velho paradigma, são as tecnologias e as novas mídias. Transportando essa área comunicacional para a pós-modernidade, percebem-se grandes mudanças em muitos aspectos.
A publicidade passa a ter espaço para o tabu e a flexibilidade de imagens. Nesse novo cenário, propagandas que abordam assuntos como overdose, anorexia, o não celibato e a homossexualidade garantem o seu espaço na mídia. Ela passa a se preocupar com a questão ambiental e com os direitos humanos. O consumidor passa a ser reconhecido como uma pessoa bem informada e atenta com as relações de consumo. Ele não possui tanto tempo e só possui atenção apreendida para uma informação sucinta.

Passou-se a ter uma preocupação em dar uma significação única para o produto com uma linguagem exclusiva. Desse modo, o consumidor expressa a sua individualidade. As tecnologias influenciaram diretamente o comportamento do homem. O individualismo tomou conta da vivência humana. As pessoas passaram a ter facilidades em se comunicar, realizar tarefas de um modo rápido, com apenas um computador. Com isso, o publicitário começou a envolver e pensar em novos meios de se chegar ao público, customizando a informação. Assim, as pessoas se identificam.

Por outro lado, há a questão do surgimento dos nichos na internet. Os usuários da rede começam a se identificarem uns com os outros. O público-alvo passa a ser membros de tribos no intuito de serem reconhecidos. As tribos são particularistas e especificadas. Isso traz certa exigência para o profissional da publicidade. Este precisa conhecer bem o perfil do seu público e o espaço que ele usa na internet para conseguir se comunicar com ele.

Nesse novo tempo de novos pensamentos e relações, tudo o que é não padrão passa a ter cena. Ele é ofertado e a procura dele cresce. Há novas ligações semânticas, culturais e ideológicas. A publicidade incorpora novos padrões, como o do cinema. O código comunicacional é aberto, incorporando figuras de linguagens em seus recursos persuasivos. Além disso, os discursos são alternativos. Outra característica no qual o publicitário precisa estar atento é o modo mobile. A extensão do computador, num visão nômade, ganha novos adeptos a cada instante. A produção de conteúdo deve ser compatível para telas menores e o publicitário precisa adaptar-se a essa nova realidade. As peças precisam ser estratégicas ao conteúdo.

Na parte de criação da publicidade, os valores e conceitos antigos estão na lista dos criadores. Linguagens, técnicas e layout antigos voltaram a ser usados. Peças atraentes de modo visual e físico são grandes apostas de persuasão. Há, portanto, a exaltação do que é bonito, dando relevância à aparência e estética. A questão sensorial também é presente. A publicidade incorpora a arte em suas peças, tendo ela como base de inspiração.

Com todas essas novas visões na publicidade, tudo aquilo que seria funcional, ou seja, o produto ou serviço, passa a ser status para o consumidor. A ideia que se tem a respeito da compra é que não se compra o objeto, mas sim o valor e a identidade. Isso recai nas técnicas de persuasão e como é feita a abordagem na peça publicitária.
Todas essas características tornaram-se na publicidade a peça linguística fundamental no processo da área.

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